• Camila Gradim

As conclusões de uma memória vívida

Outro dia, enquanto lia um artigo sobre o aprendizado na vida madura, comecei a pensar na minha avó e no que ela estaria me falando nos dias de hoje, caso ainda estivesse aqui entre nós.


Todo o planeta está vivenciando uma pandemia nova, os mais novos nunca cogitaram que passariam por isso, os mais velhos podem ser que já vivenciaram por coisas piores, mas algo é certo: isso é novo! E como lidar? Como eu deveria estar lidando?


Foi com este pensamento que comecei a pensar quais seriam as atitudes daquela mulher que coloria os cabelos de vermelho e pintava as unhas de rosa. O que ela estaria fazendo, pensando e me aconselhando? Ela não viu eu me formar, não conheceu meu primeiro namorado, não escutou eu contar que eu estava comprando um apartamento. Ela também não me viu sofrendo pelo término ou pode me aconselhar quando perdi o meu emprego. Mas e agora? O que ela me falaria agora, neste dia, se eu pudesse ligar para ela e contar tudo o que estamos passando?

Fiquei refletindo durante algum tempo e a verdade é que eu não sei quais seriam suas palavras.

Eu só consigo imaginá-la tomando o seu café com leite, molhando o pão e dando risada enquanto fala pelos cotovelos como foi o seu dia de hoje no trabalho. E esta cena me faz pensar em algumas conclusões que ela gostaria que eu tivesse; e que eu gostaria de compartilhar:

1. Aceitar os fatos com amor e paciência depois de fazer tudo o que estava ao seu alcance é a única coisa que você pode fazer. Se algo tiver que acontecer, acontecerá.

2. A vida é simples. Ou pelo menos você pode tentar fazer com que os dias mais difíceis dela possam ser. Fazer uma coisa de cada vez e estar presente de fato quando estiver fazendo aquele algo são atitudes simples que mostram essa simplicidade.

3. Tudo o que acontece nos traz aprendizado. Seja bom ou não tão bom, alegre ou triste, significativo ou não. Tudo o que acontece se acumula em nossas experiências e nos ajuda a crescer.

Como pode o simples fato de eu imaginá-la na sua velha rotina, me fazer pensar nessas conclusões?

Quando ela se foi eu era bem mais jovem do que sou agora e com muito menos experiências do que já vivi. Mas tenho certeza que o tempo em que convivemos juntas e as memórias vívidas que me recordo são o que formam o que sou hoje e as conclusões que posso ter.


Obrigada, vó. 



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